sábado, 20 de setembro de 2008

O regresso da cabala mais cedo do que o esperado

Hoje uma notícia, no DN, sobre Pedro Santana Lopes ser constituído arguido num caso de suposto envolvimento numa adulteração de assinaturas para a concessão de habitação social pode significar o regresso da teoria da cabala à política portuguesa.
Sem querer atirar achas para a reacender a fogueira inquisitória duma nova teoria da cabala, não posso deixar de revelar a minha estupefacção perante a oportunidade da notícia. É uma daquelas coincidências… Bastou Santana Lopes manifestar disponibilidade para concorrer novamente a Lisboa e, pronto, estala logo o verniz dos soalhos dos tribunais nessa primeira manifestação de intenção. Essas coincidências entre intenções políticas e iniciativas judiciais são, no mínimo, estranhas. Mas Santana pode tirar dai dividendos políticos: esta é uma excelente oportunidade para a produção teatral e o papel de vítima de uma cabala está vago – agora com Ferro Rodrigues em exílio dourado e Paulo Pedroso em regresso envergonhado. É só aproveitar – a menos que as acusações sobre aquele a quem um cronista em delírio chamou “Kennedy português” tenham mesmo fundamento...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Escrito com Cabeça (13)

«Homens como Chávez na Venezuela e Morales na Bolívia são perigos públicos em qualquer parte do mundo. Estes homens em nome das ideias mais simples, abstractas e redentoras, uma mistura de comunismo e nacionalismo, mais altermundialismo, anti-capitalismo e anti-americanismo, temperados num populismo caudilhista, uma mistura explosiva, vão espatifar os seus respectivos países.»
José Pacheco Pereira na «Sábado» (18-9-2008)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Antecipando futuras justificações para uma eventual derrota de Obama

«If Obama is rejected by voters, liberal activists will face a difficult moment. Mondale, Dukakis, Gore, Kerry, sure. There was something wrong with them. A failure to connect. A remoteness. A coldness felt in some feathers of the left wing. Bill Clinton was an electoral success, but something about him didn’t sit right. The drama. The southerness. The welfare reform. The zaftig valley girl. Activists can understand why voters might have punished Hillary for the sins of Bill.
But Obama? He is perfect.
A rejection of Obama can only mean one of two things: a rejection of the 1960s formulation of liberalism (the current formulation, alas) or that America is deeply racist. Too many of them will go for the second hypotheses.»
Richard Miniter in http://pajamasmedia.com

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O laboratório da América Latina

A Bolívia está a ferro e fogo – agora sem o embaixador dos EUA. O chimpanzé Morales está em extremas dificuldades internas. Parece que é somente presidente dos pobres da Bolívia. Porque nas regiões desenvolvidas, governadas por liberais-conservadores, não parece alcançar vassalagem política nem sequer respeito institucional. Os próprios governadores regionais falam de e para com Morales como se dum inimigo estrangeiro ou estranho se tratasse. O orangotango venezuelano, perante as evidências da rejeição total de Morales e do seu “socialismo século XXI” em imensas zonas do país deste (ou deles?), afirma vir em seu socorro. Militarmente, claro. Porque Chávez quer concretizar o sonho de Simón de Bolívar: uns estados unidos do sul, a “grande pátria” a que se referiu. Uma vasta região, composta pela: Bolívia, Venezuela, Equador, Peru e Colômbia – liderada por Chávez, obviamente. Isto é, toda uma federação ou confederação de estados latinos unidos em contraponto ao Brasil e ao México que por si só se afirmam cada vez mais nitidamente como potências regionais – e é uma questão de tempo até conquistarem os seus lugares no Conselho de Segurança da ONU ou num futuro alargadíssimo G-8.
Todavia, deste flagêlo da extrema-esquerda na América do Sul, devemos tirar todos uma lição: não se pode descurar no que respeita a desigualdades sociais. A existência de muita pobreza é o principal inimigo da democracia. Porque, quem vive na pobreza, vive numa espera messiânica dum salvador, de preferência bem falante. Tendo em conta o nível de conhecimentos e de cultura geral entre a população mais pobre, o resultado só pode ser a vitória do populismo, mesmo do populismo mais primário e ordinário. Assim surgem personagens execráveis como: Hugo Chávez, Evo Morales ou Rafael Correa. A América Latina é um laboratório a seguir com muita atenção e preocupação.

domingo, 14 de setembro de 2008

E Então Que Quereis... (Maiakovski, 1927)

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Maiakovski (1927)

Vos estis sal terra |

 Vos estis sal terra | "I Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porq...