domingo, 24 de maio de 2009

Quando a cegueira ideológica se chama “independência”

Hoje, terminou um programa de análise política no Rádio Clube Português cuja “estrela” era um comentador chamado Artur Pereira. A coisa entristeceu inúmeros ouvintes e levou mesmo às lágrimas alguns outros. Nunca fui ouvinte assíduo do mesmo, exactamente pelo motivo oposto aos que agora choram pelo seu encerramento: detestava o comentador pelo seu uso sem pudor de um populismo parolo e primário de esquerda.

Na despedida, o próprio Artur Pereira elogiou-se a si mesmo pela “independência” da sua análise política frisando que: “sempre combateu a Direita [PSD e CDS] e a falsa Esquerda [PS]” por ser um comentador “independente” como “muito poucos”. Pelos vistos, o critério de “independência” não se aplica ao alinhamento partidário com partidos como o Bloco ou o PC, nem ideológico com doutrinas totalitárias de extrema-esquerda. Isso porque a cegueira ideológica desses tarados de extrema-esquerda chama-se “independência”.

sábado, 23 de maio de 2009

Palavras do Corisco (2)

«A caridade não é a missão do Estado. A missão de Estado é garantir a nossa segurança, sem mas, nem ambiguidades. É inaceitável que tal se diga como explicação, argumento, desculpa, hesitação, em vez de dizer-se claramente que os pobres não fazem carjacking, não se armam com uma caçadeira e não vão assaltar bancos, bombas de gasolina, ourives e ourivesarias, e caixas multibanco, para comprar roupa de marca.» José Pacheco Pereira (Público, 17-5-2009).

«Os defensores das quotas, os mais agressivos e agressivas, têm a mania de insinuar que os críticos das quotas são "machistas". E, aliás, este debate é dominado pelo medo que as pessoas têm de ser apelidas de "machistas" (ou de "parvas", quando se trata de mulheres que criticam, e bem, as quotas). É um pouco como noutros debates. Se criticas o islamismo, és "racista". Se criticas o rendimento mínimo, és "insensível". São ainda os efeitos do velho esquema do Comintern: se criticas o comunismo, és "fascista"». Henrique Raposo (Clube das Repúblicas Mortas, 19-5-2009).

«A grande esperança da renovação da esquerda em Portugal vem dum recém-nascido com 73 anos, Manuel Alegre de seu nome.» Helena Matos (Blasfémias, 21-5-2009).

«Numa atitude surpreendente, Cavaco Silva veio dizer que os números de desemprego do INE de finais de 2008 estão mal avaliados. Doravante, não devemos confiar em estatísticas do Instituto Nacional de Estatística. Pois se nem o PR acredita, porque deveríamos nós confiar?» Paulo Morais (Blasfémias, 21-5-2009).

«Saudosismo é doença. Não sou saudosista. Sempre tendo a achar que vivo melhor agora do que antes. De facto, vivo melhor agora do que antes. Jorge Luís Borges estava certo: era um conservador na medida em que queria conservar as coisas boas e descartar as ruins.» Bruno Garschagen (União de Facto, 21-5-2009).

«O "neoliberalismo" tornou-se um chavão, uma muleta do discurso anti-capitalismo e anti-economia de mercado popularizado em Portugal sobretudo pelos partidos à esquerda do PS.» Paulo Pinto Mascarenhas (ABC do PPM, 22-5-2009).

terça-feira, 19 de maio de 2009

Pobre sim, mas com vergonha?

De acordo com o DN de ontem, há quase mais 33 mil pessoas a receber o Rendimento Social de Inserção (RSI). O que eleva para 367702 o número de pessoas a viver à custa do Estado – o monstro assistencialista que cresce sem cessar sempre que um governo do socialista se encontra no poder.
Durante toda a minha vida só uma vez vivi à custa de subsídios estatais: durante 6 meses em que frequentei uma especialização em Marketing Turístico para recém-licenciados desempregados. Foi o pior tempo da minha vida. A vergonha desmoralizava-me de tal maneira que a coisa acabou num tratamento psiquiátrico. Superei a vergonha e, com muito trabalho e sem cunhas, tenho um emprego relativamente compatível com o meu nível académico e profissional. Mas aqueles tempos ainda me causam arrepios na espinha…
Agora, quando me deparo com esses números de beneficiários do RSI, pergunto-me se essas pessoas não sentem um mínimo de vergonha e frustração pessoal por receberem essa esmola do Estado. Como é que se consegue viver a assistir, muitas vezes no sofá, aos outros a lutarem pela vida sem fazer nada além de parir filhos uns atrás dos outros, seguir telenovelas umas a seguir às outras, ou passar horas intermináveis no café a contemplar o nada.
Contudo, não me parece que muitos (senão mesmo a maioria) destes “pobres” tenham um pingo de vergonha. É que para se ter vergonha é preciso ter valores e muita dessa gente não reconhece nenhum valor que não seja o valor do dinheiro. Aliás, viver à pala do RSI tornou-se um modo de vida. Assisti na TVI a uma “pobre” que, confrontada por uma jornalista sobre se estava acomodada ao rendimento, responde enfezada que: “se tenho quatro filhos só posso arranjar um emprego das 10h. às 16h., por isso não arranjo porque tenho de ir buscá-los à escola!” Elucidativo sintoma de uma sociedade que se encontra doente pela assistência sem pudor oferecida por um Estado neo-socialista que explora os trabalhadores para sustentar os malandros em nome duma patética “solidariedade”. Eu, no que me toca (e toca bastante), tenho de sobra aquilo que lhes falta a eles: vergonha, isto é, vergonha de viver num país junto de gente como essa.

sábado, 16 de maio de 2009

Palavras do Corisco (1)

«A culpa [pelos incidentes na Bela Vista] é do Estado: ao enxotar os mais pobres para guetos imundos, longe dos centros de “socialização”, e ao sustentar vidas de indolência e irresponsabilidade familiar, o Estado apenas criou o monstro que agora se volta contra ele. A Bela Vista é um problema de pobreza, sim, mas de pobreza moral, ou até espiritual, promovida pelo paternalismo abjecto do Estado.»
João Pereira Coutinho (Correio da Manhã, 15-5-2009)

«A esquerda poderá dar ao PS menos trabalho do que o previsto. Não por acaso, Alegre prepara-se para regressar à família. Com a ressurgência da direita, aumentou para os eleitores de esquerda o risco de, votando PCP ou BE, ajudarem a pôr o PSD à frente e assim liquidarem de vez a hipótese de uma "política de esquerda"»
Rui Ramos (Correio da Manhã, 15-5-2009)

«A diferença ganhadora do FC Porto também se distingue na desafinação dos seus adversários. Os clubes da 2ª Circular, generosamente ainda chamados “grandes”, há muito que jogam noutro campeonato. Moram num Mundo de quimeras onde a paisagem é feita de fantasia justicialista, temperada de amarguras ressabiadas e com uma confrangedora desarrumação estratégica. Sem rivais à altura, a Liga indígena já só serve para o Campeão treinar para a Champions.»
Carlos Abreu Amorim (Correio da Manhã, 11-5-2009)

«Posso obviamente estar errado, mas há muito tempo que se adivinha a estratégia de Manuel Alegre. Numa primeira fase, fazer a oposição interna a José Sócrates para conquistar a simpatia da restante esquerda, sem no entanto nunca criar grandes dificuldades à governação socialista. Depois, fazer as pazes com a liderança do PS e conquistar um número abrangente de apoiantes na lista de deputados para as eleições legislativas. Finalmente aparecer em 2011 com o apoio de toda a esquerda nas presidenciais contra Cavaco Silva.»
Nuno Gouveia (31 da Armada, 14-5-2009)

«A partir de Outubro, a democracia portuguesa vai ter resultados eleitorais que a forçarão à procura de uma regeneração que nos livre da demagogia eleitoralista de leis feitas à pressa, onde tanto se procura a criminalização do enriquecimento ilícito, como, no dia seguinte, se permite a imagem do deboche no financiamento partidário.»
José Adelino Maltez (Sobre o tempo que passa, 14-5-2009)

Vos estis sal terra |

 Vos estis sal terra | "I Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porq...