Sócrates, como bom tecnocrata que é, adora imitar. E, no seu caso, imitar é adoptar uma imagem que não é naturalmente sua. Sócrates imita Obama. E imita Obama porque o candidato democrata projecta uma inegável imagem de “mudança”. E Sócrates deseja o mesmo. Mas não consegue. Não consegue porque já todos já o conhecem. Por isso não vale a pena copiar o estilo de Obama – como Sócrates tanto se tem esforçado, especialmente no comício de reentrada política do PS em Guimarães e agora (sem casaco nem gravata e de mangas arregaçadas, só se distinguindo de Obama pela palidez da pele) nos Açores. Esse estilo de “mudança” só funciona numa primeira candidatura. Obama se for eleito presidente, não se vai recandidatar de mangas de camisa a um segundo mandato, como faz desta vez. Nessa altura já todos os americanos o conhecem e o teatro político tem necessariamente de ser outro. Mas Sócrates não percebe isso. Pensa que basta ter uma idade idêntica e a mesma elegância física, além de algumas vagas parecenças ideológicas e o mesmo estilo informal para ser parecido com Obama. O género teatral de “mudança” que Obama personifica tem obrigatoriamente que estar associado à novidade. Obama é novidade. Sócrates não. Em 2004 talvez tivesse funcionado, mas agora não. Nessa altura, Sócrates não teve engenho para representar o papel que Obama neste momento representa. E é esta a diferença entre o original e a cópia.
"A questão é saber se há pessoas honestas quando o interesse ou a paixão estão em jogo." Talleyrand.
domingo, 5 de outubro de 2008
sábado, 4 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Mário Soares, Mário Crespo e as pessoas “inteligentes”
Mário Soares, obcecado como qualquer bom tarado de esquerda com os EUA, já tem o “seu” candidato: Obama. Naquela sua cada vez menos disfarçada ignorância afirma, que: “toda a inteligência americana apoia Obama”. Isto é, os académicos e os “artistas”. Daqui facilmente se conclui que só os estúpidos e os ignorantes é que podem votar em McCain. Porque os inteligentes só podem votar em Obama. É a estúpida arrogância da esquerda na sua máxima força.
Mário Soares que, ao que parece, já superou definitivamente o desgosto da derrota categórica que sofreu nas presidenciais portuguesas mostra-se cada vez mais sedento de protagonismo e carente de tempo de antena. A imprensa satisfaz-lhe ambos os desejos. Na RTP tem aquele imbecil programa: “o caminho faz-se caminhando” onde Soares, arrogantemente, revela toda a sua ignorância e pouca memória perante uma Clara Ferreira Alves babada com a “sabedoria” do “Buda” do “socialismo século XXI”. Quanto à restante imprensa disputa artigos pouco informados e tendenciosos, além entrevistas que conseguem o incrível de terem ainda menos conteúdo intelectual que os artigos. Mas, Soares está sempre disponível para opinar – dar opinião é o ópio dos ignorantes. E a imprensa está sempre pronta para o ouvir. Só este fim-de-semana deu entrevistas ao Rádio Clube Português no Sábado e ao Correio da Manhã no Domingo. Mas, Soares vende? Ou seja, ainda existe alguém que se interessa por aquilo que Soares pensa e diz? Soares, enquanto comentador, é do pior que existe. É, e sempre foi, limitado intelectualmente, pouco culto (só em Portugal alguém como ele pode passar por uma pessoa culta) e toda a sua análise sobre qualquer tema (ele, como qualquer bom inculto, fala sobre tudo) resume-se à mais óbvia constatação do evidente, ou em fazer o triste papel de papagaio da ideologia da “esquerda-caviar”.
Mário Soares, de acordo com a inteligência que possui, não tem nem teve, nem aliás podia ter, nenhuma dúvida sobre a escolha do “seu” candidato à presidência dos EUA. As pessoas “inteligentes” como ele têm sempre poucas dúvidas.
Já Mário Crespo, que conhece perfeitamente os EUA, sublinha que “todas as pessoas que reflectem devem estar muito indecisas quanto à sua escolha para Presidente dos EUA”. Eu que, modéstia à parte, reflicto e também conheço os EUA também não me consigo decidir entre os dois candidatos. Acho que, tal como Crespo, todos os norte-americanos inteligentes e sem interesses numa ou noutra candidatura não se decidiram ainda. Se Obama fosse branco a escolha seria assim tão fácil? Nesse sentido, agradeço a Mário Soares por ter-me feito sentir alguém inteligente.
Mário Soares que, ao que parece, já superou definitivamente o desgosto da derrota categórica que sofreu nas presidenciais portuguesas mostra-se cada vez mais sedento de protagonismo e carente de tempo de antena. A imprensa satisfaz-lhe ambos os desejos. Na RTP tem aquele imbecil programa: “o caminho faz-se caminhando” onde Soares, arrogantemente, revela toda a sua ignorância e pouca memória perante uma Clara Ferreira Alves babada com a “sabedoria” do “Buda” do “socialismo século XXI”. Quanto à restante imprensa disputa artigos pouco informados e tendenciosos, além entrevistas que conseguem o incrível de terem ainda menos conteúdo intelectual que os artigos. Mas, Soares está sempre disponível para opinar – dar opinião é o ópio dos ignorantes. E a imprensa está sempre pronta para o ouvir. Só este fim-de-semana deu entrevistas ao Rádio Clube Português no Sábado e ao Correio da Manhã no Domingo. Mas, Soares vende? Ou seja, ainda existe alguém que se interessa por aquilo que Soares pensa e diz? Soares, enquanto comentador, é do pior que existe. É, e sempre foi, limitado intelectualmente, pouco culto (só em Portugal alguém como ele pode passar por uma pessoa culta) e toda a sua análise sobre qualquer tema (ele, como qualquer bom inculto, fala sobre tudo) resume-se à mais óbvia constatação do evidente, ou em fazer o triste papel de papagaio da ideologia da “esquerda-caviar”.
Mário Soares, de acordo com a inteligência que possui, não tem nem teve, nem aliás podia ter, nenhuma dúvida sobre a escolha do “seu” candidato à presidência dos EUA. As pessoas “inteligentes” como ele têm sempre poucas dúvidas.
Já Mário Crespo, que conhece perfeitamente os EUA, sublinha que “todas as pessoas que reflectem devem estar muito indecisas quanto à sua escolha para Presidente dos EUA”. Eu que, modéstia à parte, reflicto e também conheço os EUA também não me consigo decidir entre os dois candidatos. Acho que, tal como Crespo, todos os norte-americanos inteligentes e sem interesses numa ou noutra candidatura não se decidiram ainda. Se Obama fosse branco a escolha seria assim tão fácil? Nesse sentido, agradeço a Mário Soares por ter-me feito sentir alguém inteligente.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Miguel Sousa Tavares capaz do pior e do melhor
Miguel Sousa Tavares é, no meu entender, um bom cronista e escritor. Contudo, naquele seu estilo muito próprio comete várias imprudências, revela algum desconhecimento sobre assuntos que aborda (Carrilho, por exemplo, já o “apanhou” numa resposta a um artigo de MST, no Expresso, sobre o Museu do Côa), tem má memória e confunde abundantemente datas e autorias de citações.
Contudo, continuo a admirar Miguel Sousa Tavares. Acho-o um homem inteligente, corajoso e desassombrado, honesto e talentoso. “Equador” foi um livro que adorei ler, e estou certo que o tempo dará a este romance a devida consagração.
Mas, MST é capaz do pior e do melhor. No espaço de uma semana escreveu um excelente texto sobre a crise do sistema capitalista e um péssimo, presunçoso e anti-americano sobre a Europa e os EUA. Aqui ficam duas citações que revelam isso mesmo.
O melhor:
“O que falhou? Falhou a noção de honra dos capitalistas e a noção de dever dos governantes. Falhou a consciência da responsabilidade social do dinheiro, substituída pela simples ganância de mais e mais lucros, sem olhar sequer a regras de prudência elementares. Vimos como, entre nós, um banco que era apontado como um "case study" de modernidade e inovação, onde mandavam os gestores profissionais e não os accionistas parasitários, se transformou num "case study" de tropelias de toda a ordem, em que o objectivo principal da gestão parecia ser, não o de servir os accionistas, os clientes, os trabalhadores do banco ou a economia nacional, mas sim a luxúria e o desejo de acreditação social dos seus gestores. No antigo faroeste americano, os que eram apanhados a fazer batota ao jogo eram despidos de tudo, pintados com alcatrão, cobertos de penas e expulsos da cidade. Hoje recebem milhões de indemnização para se irem embora e reformas vitalícias que são um escândalo público. Porque, quando a honra deixa de ser um valor na vida em sociedade, a vergonha não pesa nada.” 22-9-2008.
O pior:
“Os americanos, claro, e é por isso que a América é uma nação perigosa, porque tanto se podem entregar a um Roosevelt ou a um Clinton como a um Nixon ou a um Bush. Mas não só os americanos: também essa geração de dirigentes europeus enfatuados, que parecem desprovidos de pensamento próprio, mesmo quando se trata de questões que tocam muito mais de perto à Europa do que à América, como são os Balcãs, o Médio Oriente ou as relações com a Rússia. Toda a gente sabia que Bush era um completo ignorante em matéria de política externa, dotado daquela ignorância arrogante que se encontra no americano médio, que está convencido de que, fora dos Estados Unidos, nada mais conta e nada mais interessa, e que o mundo inteiro vive no desejo de poder imitar o estilo de vida e os 'valores' americanos - os únicos justos e conformes à vontade de Deus. Mas a ignorância é uma arma perigosa nas mãos de um homem poderoso, e dizem que o Presidente dos Estados Unidos é o homem mais poderoso do mundo. Foi a ignorância de Bush que conduziu os Estados Unidos ao caos e fez do mundo um lugar infinitamente mais perigoso.” 28.9-2008.
Contudo, continuo a admirar Miguel Sousa Tavares. Acho-o um homem inteligente, corajoso e desassombrado, honesto e talentoso. “Equador” foi um livro que adorei ler, e estou certo que o tempo dará a este romance a devida consagração.
Mas, MST é capaz do pior e do melhor. No espaço de uma semana escreveu um excelente texto sobre a crise do sistema capitalista e um péssimo, presunçoso e anti-americano sobre a Europa e os EUA. Aqui ficam duas citações que revelam isso mesmo.
O melhor:
“O que falhou? Falhou a noção de honra dos capitalistas e a noção de dever dos governantes. Falhou a consciência da responsabilidade social do dinheiro, substituída pela simples ganância de mais e mais lucros, sem olhar sequer a regras de prudência elementares. Vimos como, entre nós, um banco que era apontado como um "case study" de modernidade e inovação, onde mandavam os gestores profissionais e não os accionistas parasitários, se transformou num "case study" de tropelias de toda a ordem, em que o objectivo principal da gestão parecia ser, não o de servir os accionistas, os clientes, os trabalhadores do banco ou a economia nacional, mas sim a luxúria e o desejo de acreditação social dos seus gestores. No antigo faroeste americano, os que eram apanhados a fazer batota ao jogo eram despidos de tudo, pintados com alcatrão, cobertos de penas e expulsos da cidade. Hoje recebem milhões de indemnização para se irem embora e reformas vitalícias que são um escândalo público. Porque, quando a honra deixa de ser um valor na vida em sociedade, a vergonha não pesa nada.” 22-9-2008.
O pior:
“Os americanos, claro, e é por isso que a América é uma nação perigosa, porque tanto se podem entregar a um Roosevelt ou a um Clinton como a um Nixon ou a um Bush. Mas não só os americanos: também essa geração de dirigentes europeus enfatuados, que parecem desprovidos de pensamento próprio, mesmo quando se trata de questões que tocam muito mais de perto à Europa do que à América, como são os Balcãs, o Médio Oriente ou as relações com a Rússia. Toda a gente sabia que Bush era um completo ignorante em matéria de política externa, dotado daquela ignorância arrogante que se encontra no americano médio, que está convencido de que, fora dos Estados Unidos, nada mais conta e nada mais interessa, e que o mundo inteiro vive no desejo de poder imitar o estilo de vida e os 'valores' americanos - os únicos justos e conformes à vontade de Deus. Mas a ignorância é uma arma perigosa nas mãos de um homem poderoso, e dizem que o Presidente dos Estados Unidos é o homem mais poderoso do mundo. Foi a ignorância de Bush que conduziu os Estados Unidos ao caos e fez do mundo um lugar infinitamente mais perigoso.” 28.9-2008.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Adriano Moreira e a "Europa"
Soube agora que Adriano Moreira participou, em Maio último, numa conferência sobre a “Europa” na Universidade Fernando Pessoa – instituição que serve de exemplo acabado da excelência do ensino superior privado em Portugal a partir do Porto e de Ponte de Lima baseado no paradigma de sucesso das universidades norte-americanas.
Assim, o Espelho do Corisco decidiu registar algumas das afirmações proferidas pelo grande senhor da Ciência Política e das Relações Internacionais deste país.
“A Europa perdeu definitivamente a excepcionalidade que manteve durante séculos de hegemonia política”
“A EU tem de ter um conceito de governabilidade que oriente a limitação das adesões dando prioridade à decisão dos países indiscutivelmente europeus, que estão ausentes, sobre as adesões problemáticas que misturam conceitos de comunidade e de aliança.”
Esta última é direitinha para a Turquia.
Assim, o Espelho do Corisco decidiu registar algumas das afirmações proferidas pelo grande senhor da Ciência Política e das Relações Internacionais deste país.
“A Europa perdeu definitivamente a excepcionalidade que manteve durante séculos de hegemonia política”
“A EU tem de ter um conceito de governabilidade que oriente a limitação das adesões dando prioridade à decisão dos países indiscutivelmente europeus, que estão ausentes, sobre as adesões problemáticas que misturam conceitos de comunidade e de aliança.”
Esta última é direitinha para a Turquia.
domingo, 28 de setembro de 2008
Baptista-Bastos: ser de esquerda compensa e Soares é fixe
Olhem só quem tem casa oferecida pela Câmara Municipal de Lisboa. O “nosso” (como diz a esquerda) Baptista-Bastos. O “mecenas” foi João Soares, o filho do paladino do “socialismo séc. XXI”, Mário Soares. Que serve de prova que ambos, pai e filho, partilham o mesmo gosto pelo “mecenato”. Que coincidência: um talentoso escritor e jornalista de esquerda beneficiou de um favor na atribuição de uma moradia pela CML. Concedido por um presidente socialista numa coligação com comunistas. É bom que estes favores se vão sabendo para se perceber as motivações e convicções ideológicas de muitos artistas, jornalistas e escritores. Foi Baptista-Bastos que um dia disse que “escrever é lutar”. Tem razão. Valeu-lhe, pelo menos, uma casa concedida à custa dos contribuintes.
Espero que essa polémica da atribuição de mais de três mil casas a título de favor ou como compensação por “serviços” diversos pela CML a gente como Baptista-Bastos não fique em banho-maria. Doa a quem doer, todas estas atribuições manhosas de moradias devem vir a público. Quem concedeu e quem beneficiou. Ou, como diria Mariano Rajoy, quem untou e quem está untado pelo poder. Conto com a revista Sábado e o semanário Sol para o efeito.
Espero que essa polémica da atribuição de mais de três mil casas a título de favor ou como compensação por “serviços” diversos pela CML a gente como Baptista-Bastos não fique em banho-maria. Doa a quem doer, todas estas atribuições manhosas de moradias devem vir a público. Quem concedeu e quem beneficiou. Ou, como diria Mariano Rajoy, quem untou e quem está untado pelo poder. Conto com a revista Sábado e o semanário Sol para o efeito.
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